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Ultimamente, muito se fala sobre os efeitos e benefícios dos análogos de GLP-1, popularizados pelas "canetas" injetáveis para emagrecimento.

Mas há uma lacuna incômoda na conversa: o que acontece quando o tratamento é interrompido? E mais, existe uma forma segura e estratégica de realizar essa transição?

A “resposta curta” é sim. Por outro lado, a “resposta longa” é um tanto mais complexa do que as pessoas imaginam.

O contexto atual

Nos Estados Unidos, quase 18% dos adultos já usaram algum tipo de análogo de GLP-1 para controlar o peso ou tratar diabetes tipo 2.

O problema é que estudos — como este publicado no British Medical Journal — mostram que quem para com esses medicamentos tem uma taxa de reganho 4x maior do que quem emagrece com mudanças de estilo de vida.

Em números: pessoas que perderam 14,5 quilos recuperam, em média, cerca de 9,5 em apenas um ano e meio após interromper o uso.

(Imagem: Waffle Studios)

Além do peso, os benefícios para pressão arterial, glicemia e colesterol também tendem a diminuir com o tempo.

A explicação

Os análogos de GLP-1 atuam no cérebro, no pâncreas e no trato gastrointestinal, reduzindo o apetite, melhorando a ação da insulina e promovendo um balanço energético negativo.

🩺 Quando o medicamento é interrompido, esses efeitos desaparecem, o apetite retorna, o gasto energético cai e o organismo tende a recuperar o peso perdido.

Esse reganho de peso desencadeia mecanismos metabólicos associados à obesidade, como resistência à insulina, retenção de sódio, inflamação crônica e piora do perfil lipídico.

Por isso, pressão arterial, glicemia e colesterol sobem novamente, mostrando que, para muitos pacientes, o tratamento é contínuo, não temporário.

O que extrair disso?

A principal lição é que os análogos de GLP-1 não são atalhos estéticos, mas ferramentas terapêuticas voltadas ao controle de uma doença complexa e crônica.

Parar o uso exige planejamento, acompanhamento médico e, idealmente, uma estratégia que combine nutrição, exercício e apoio psicológico.

A boa notícia? Quando bem conduzida, a transição é possível — e pode até ser o começo de uma nova fase, mais autônoma e sustentável no cuidado com o corpo e a saúde.

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