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🤔 Conheça a eureciclo

A eureciclo é um marketplace de serviços ambientais que nasceu com a missão de apoiar as empresas a atingirem suas metas de reciclagem.

A startup conecta marcas de bens de consumo com a cadeia de reciclagem composta por organizações de catadores de resíduos, centrais de triagem e operadores privados por meio de uma plataforma de rastreabilidade de lixo.

São capturados os dados dessa cadeia para depois rastrear os diferentes fluxos e tipos de materiais comprovar que quantidades específicas de lixo foram coletadas, triadas e recicladas.

Feita essa análise, os dados são “empacotados” e vendidos para o produtor de bens de consumo para que ele possa mostrar ao governo e aos consumidores que sua empresa tem um compromisso com a sustentabilidade, apoiando a cadeia da reciclagem.

Do valor pago pelo produtor, a eureciclo fica com um percentual e repassa o restante para organizações de catadores e operadores privados que formam a cadeia de reciclagem.

🛣 Como tudo começou

O fundador Thiago Pinto sempre teve o desejo de fazer algo mais sustentável. Como consultor estratégico no Boston Consulting Group, ele sempre gostou de apresentar questões mais sustentáveis a seus clientes.

Em 2013, ele decidiu voltar aos estudos e cursar um MBA. O destino foi a Kellogg School of Management, em Chicago.

“Eu disse: ‘vou utilizar o MBA para montar uma startup de impacto socioambiental’”, relembra o empresário. “Por lá, você tem uma baita plataforma, desde professores até os companheiros de curso”.

Ao pesquisar, eles identificaram que são dois os motivos pelos quais as marcas querem atingir suas metas de reciclagem:

O que essa lei significa para marcas de bens de consumo? Basicamente, seria a meta de reciclagem das embalagens que permanecem após o consumo do produto.

No Brasil, a lei definiu que a meta de reciclagem dessas embalagens era de 22% em 2023 e, para este ano, ela subiu para 30% — na Europa, a cifra já está entre 60-70%.

Caso essas metas não sejam cumpridas, as empresas serão multadas. Em alguns estados, inclusive, a fiscalização pede a licença ambiental de operação da fábrica, podendo suspender suas atividades.

Com isso, criou-se um dever novo para essas fabricantes. No Brasil, já existia uma cadeia de reciclagem, porém não era remunerada pela atividade de reciclagem.

⚠️ Só que existia um problema. À época, a lei não estava sendo fiscalizada. Com isso, era praticamente um mercado voluntário.

Em 2015, o projeto de Thiago e cia. ganhou tração e seu grupo acabou levantando um cheque de cerca de U$$ 70 mil para tentar criar esse mercado no Brasil.

Eles trouxeram os americanos aqui — Rio de Janeiro e São Paulo — para que pudessem viver a dor do cliente final.

“Nós ficamos junto dos catadores de resíduos”, comentou Thiago. “Nós vivemos em comunidade e puxamos carroça para compreender a dor dessas pessoas”.

🪜 Os primeiros passos da empreitada

Em setembro de 2016, já de volta ao Brasil, Thiago convidou o amigo Marcos Matos para se juntar a empreitada e lançaram a eureciclo. A dupla começou a vender esse crédito de reciclagem e foi encubada pelo Google Brasil.

“O Google nos deu um banho de loja”, relembra o fundador. “Toda essa questão tecnológica de rastreabilidade e marketing digital. Nós conseguimos nossos primeiros 5 clientes, inclusive, no Google Campus”.

Para Thiago, as primeiras empresas entraram por convicção. Elas acreditavam que nós íamos resolver esse problema para elas.

No começo, a eureciclo acabou ecoando muito para empresas vegetarianas/veganas, porque esse tipo de pauta já era abraçada não só pelas marcas como por seus consumidores.

A startup seguiu nesse mercado voluntário por um tempo — acumulando em torno de 400 clientes — até que, em 2018, o órgão fiscalizador entrou em contato para que eles os ajudassem a regular todo esse mercado.

“Isso fez com as empresas começassem a enxergar isso não tanto como uma questão de convicção e mais como uma questão de compliance”, relembra Thiago.

♻️ Nem tudo são flores. Ao longo desse primeiro ano de operação, a eureciclo chegou a pivotar seu modelo negócios duas vezes antes de voltar ao crédito de reciclagem. Abaixo o que eles tentaram:

Outro ponto de destaque neste início de jornada foi a definição de qual evidência seria robusta o suficiente para comprovar que o material dessas empresas tenha sido reciclado.

Uma das primeiras sugestões foi a Internet das Coisas (IoT), na qual se colocaria um sensor ou na embalagem, ou no caminhão para fazer esse monitoramento.

O problema encontrado foi que os que sucateiros, por exemplo, queriam reciclar tudo… Até o sensor, que era de alumínio.

💡Eis que veio a solução: notas fiscais.

🧐 O motivo: Quando uma cooperativa de catadores vende o resíduo para um intermediário ou reciclador final, ela precisa emitir um comprovante fiscal da venda do produto reciclável. Logo, esse comprovante possui:

“Essas eram todas as informações que nós precisávamos para determinar que o produto saiu do ponto A para chegar ao ponto B”, disse Thiago.

Isso sem contar que, ao ser um documento fiscal, ele possui um embasamento. A eureciclo poderia consultar com a Receita Federal para saber se a nota fiscal estava “quente” ou “fria”.

Com essas NFs, eles conseguiam comprovar os fluxos — as notas fiscais, inclusive, compõem o certificado de crédito de reciclagem.

“Hoje, é um processo mais avançado”, comenta o empresário. “Mas, no começo, eu lembro de ir até a cooperativa e tirar foto da NF para depois inserir os dados manualmente no sistema”.

📈 Período pós-regulação

Ao já ter uma infraestrutura estabelecida — já tinha vários operadores e sabiam como o negócio funcionava — o movimento da eureciclo cresceu.

Acontece que, com a regulamentação, as empresas tinham duas opções: ou ela buscava atingir sua meta de reciclagem, ou ela perdia sua licença.

Segundo Thiago, o crescimento foi bem forte, começando pelo estado de São Paulo para depois migrar para o Paraná e Mato Grosso do Sul.

Esse crescimento exponencial permaneceu até quando chegou a pandemia. Nesse período inicial, houve um impacto muito grande na cadeia de reciclagem.

O que ocorreu foi que catadores e cooperativas foram impedidos, por motivos sanitários, de ter contato com as embalagens, que terminavam indo para aterro.

Detalhe: Por ser considerado um serviço essencial, a coleta de lixo não foi suspensa no Brasil.

Para ajudar, a eureciclo contou com algumas estruturações — desde cesta básica até antecipação de crédito — para que esses agentes não sofressem tanto por conta das restrições sanitárias.

Uma vez concluído o período mais conturbado da pandemia, a fiscalização chegou em outros estados.

🆙 Evolução dos serviços

Referente a evolução dos serviços, a empresa passou de captura de nota fiscal para um serviço completo que inclui:

A eureciclo também criou um leilão — tipo uma bolsa de valores — de ativos ambientais e uma trading que vende os créditos que reciclagem diretamente no site da startup.

Por último, mas não menos importante, a empresa criou um selo que seus clientes podem usar em suas respectivas embalagens para comunicar que elas atingem suas metas de reciclagem e apoiam essa cadeia participando a estruturação da reciclagem de materiais que muitas vezes eram ignorados pelos agentes, além de pagar valores mais justos aos parceiros.

O selo, inclusive, foi seu maior ativo na obtenção de novos clientes, especialmente no começo.

Isso porque, ao ficar exposto na embalagem, o selo gerou curiosidade. Outras marcas queriam saber que tipo de selo era esse e como elas poderiam consegui-lo para poder comunicá-lo a seu consumidor final.

“Por ser um mercado voluntário, sem muita pressão regulatória, foi assim que fomos migrando e expandindo o selo em todas as marcas do setor”, disse Thiago.

O selo se tornou algo tão relevante que a startup passou a utilizá-lo em sua estratégia de marketing. Entre algumas ações estão:

“É uma simbiose positiva”, comentou o fundador. “A marca quer falar que é sustentável e utiliza o nosso selo. Em contrapartida, nós queremos ser expostos e ganhamos essa exposição através das embalagens”.

Hoje, o selo da eureciclo é um dos 4 mais reconhecidos do Brasil.

🔜 Momento atual e futuro da eureciclo

A startup sempre está buscando maneiras de usufruir de sua base de dados para gerar novos negócios em outros setores e modelos dentro do país que ajudem a avançar com a estruturação da reciclagem.

A empresa já rastreou mais de 15 milhões de toneladas — cerca de 1/3 de todo o lixo do Brasil — e comprovou a reciclagem de aproximadamente 1 milhão de toneladas, chegando a triplicar essa meta em alguns estados.

Observando isso, a eureciclo criou um veículo que investe em novas infraestruturas de reciclagem. Na prática, eles apoiam os operadores da cadeia de reciclagem com dívidas ou com aportes adicionais para que eles possam expandir.

Por falar em expansão… A eureciclo já atua solo internacional, especificamente no Chile, país em que a versão da Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor (REP) acabou de ser aprovada.

A empresa já sendo “cobrada” de quando vai começar a atuar na Colômbia e no Uruguai, mas está aguardando os resultados em território chileno antes de cruzar mais fronteiras.

“Nós temos meio que temos uma estratégia de seguir o nosso cliente, sobretudo as grandes marcas multinacionais”, disse Thiago. “Às vezes, o mesmo cliente quer um fornecedor único para toda América Latina”.

Hoje, a eureciclo tem mais de 7 mil empresas — em mais de 100 setores diferentes — e mais de 26 mil atores da cadeia de reciclagem catalogados em seu marketplace.

Thiago comenta que, além da compensação ambiental, uma de suas satisfações é ver o impacto social da eureciclo.

Isso se deve ao fato que boa parte da cadeia de reciclagem, agora, recebe tanto pelas vendas dos resíduos quanto pelo serviço de coleta.

“Em alguns casos, a renda dessas pessoas chega a dobrar”, comenta o fundador. “Com isso, eles ficam incentivados a coletar vidro, por exemplo, um material pesado e que não possui tanto valor”.

Mais de R$ 65 milhões foram injetados em organizações de catadores e operadores privados, gerando benefícios para o meio ambiente e trabalhadores da reciclagem.

Já do lado dos aprendizados, Thiago aponta a necessidade da resiliência, tanto pelo fato de você ganhar sabedoria e experiência com o tempo quanto por conseguir exposição a oportunidades.

“Ter resiliência faz diferença”, diz o empresário. “Muitas vezes pensamos em desistir pela volatilidade do mercado, mas nos mantivemos presentes e, especialmente, tentando passar o máximo de confiança possível”.

🧍‍♂️ Quem está por trás desse negócio?

A eureciclo foi fundada por Thiago Pinto e Marcos Matos. Ao clicar, você vai para o LinkedIn deles.

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