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De uns tempos pra cá, parece que todo mundo resolveu correr. Literalmente.
Você abre o Instagram no domingo de manhã e lá estão: roupas de performance, tênis caríssimos com nomes de foguete, medalhas penduradas no pescoço suado, selfies com legendas tipo “só quem corre entende” ou “21km de superação”.
Correr virou quase uma religião moderna, com rituais, comunidades, gurus (chamados de “coach”) e, claro, um dogma inegociável: quem corre é melhor do que quem não corre.
Nada contra a corrida. De verdade. Inclusive eu corro e participei de uma corrida esse domingo. É incrível e motivador. Movimento é saúde, endorfina é maravilhosa, e sair da frente da tela é sempre uma vitória.
Dentre todas as modinhas existentes, que bom que é algo saudável. Mas a questão aqui não é a corrida em si, e sim a necessidade de transformar tudo em performance, em status, em conteúdo.
A corrida deixou de ser sobre bem-estar e virou sobre curtidas, sobre mostrar. Como se, caso você durma um pouco a mais um dia, isso significasse um fracasso moral.
Tem gente que começou a correr porque queria cuidar da saúde, e agora tá em planilha de treino, suplemento, gel de carboidrato, e até um calendário de provas que parece agenda de executivo.
O hobby virou obrigação. A pausa virou culpa. E o corpo, mais uma vez, virou vitrine.
E talvez o mais curioso seja que, no fundo, essa modinha da corrida diga muito sobre o nosso tempo.
Um tempo em que o lazer precisa ter utilidade, o descanso tem que ser produtivo e até o esporte virou extensão do LinkedIn.
Uma sociedade tão acelerada que precisa de mais velocidade ainda nas horas de “descanso”.
Meu medo é de que as pessoas estejam correndo só pelo status e esquecendo, de fato, do motivo de ter virado modinha. A saúde, o bem estar, o cuidado com a mente e o descanso.
Aplicativos como GymRats provocam grupos a competição, o que é maravilhoso por um lado. O que é melhor incentivo para esporte do que uma competição social?
Mas quando essa competição começa a virar obrigação e status as pessoas começam a correr pra não ficar pra trás, seja na vida ou na timeline.
A corrida é boa, sim. Mas o silêncio também. A pausa também. O não fazer nada também.
E talvez a verdadeira superação esteja em conseguir existir sem precisar performar e provar algo o tempo todo.
Então, se você corre porque ama continue. Mas, se está correndo porque todo mundo corre, talvez valha a pena perguntar: você tá correndo atrás de algo… ou só correndo de si mesmo? Qual o SEU hobby de descanso?
Esse texto foi enviado por uma leitora na semana passada, de sobrenome Belline, que disse “Acho que posso agregar, de alguma forma, o pensamento crítico das pessoas."
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