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Felca riscou um fósforo e jogou no celeiro: seu vídeo escancarando a adultização de crianças mostra meninas de nove anos maquiadas como influencers e meninos vendendo assinatura para estranhos.

Mães, agências e plataformas promovem reality shows improvisados em que a infância vira mercadoria e a exposição infantil vira conteúdo.

O problema é que, por pior que pareça, o influenciador preso tinha mais seguidores do que a página da Globo — maior emissora da América Latina — no Instagram. Mais de 17 milhões de seguidores assistiam suas postagens e as crianças diariamente.

É provável que um stories dele tenha mais audiência do que a edição matinal do jornal da sua cidade.

Se na pirataria há o crime de receptação, ou seja, a punição para quem compra do bandido, o que dizer de quem assistia e compartilhava os conteúdos?

Você também é culpado quando aplaude um bebê que acabou de sair da barriga ou para duas crianças dançando músicas virais do TikTok com a mamãe blogueira.

Mas voltemos à adultização: Já em 2021, o Brasil era líder mundial no ranking de cirurgias plásticas em jovens.

De acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), dos quase 1,5 milhão de procedimentos estéticos feitos em 2016, 97 mil (6,6%) foram realizados em pessoas com até 18 anos de idade.

Somente nos últimos dez anos, houve um aumento de 141% no número de procedimentos entre jovens de 13 a 18 anos. É provável que hoje, todos esses números sejam ainda maiores.

As cirurgias mais procuradas? Implantes de silicone, a rinoplastia e a lipoaspiração, majoritariamente nas meninas.

Antes mesmo da pandemia, o The Guardian publicou um estudo que mostrava que 40% das meninas que passam mais de 5 horas online apresentam sintomas depressivos.

À medida que a vida das pessoas se torna conteúdo, o leque de comparação é ampliado. Você, eu e todos os usuários passamos a comparar nossas realidades com pessoas que, sem a internet, jamais conheceríamos.

O pior é que a neurociência mostra que a comparação social tende a ser mais prejudicial na adolescência do que na vida adulta.

Isso ocorre porque os sistemas de regulação do córtex pré-frontal ainda não estão totalmente maduros até os 25 anos, ou seja, o cérebro “mais novo” é hipersensível à avaliação.

No mercado financeiro, há um ditado clássico: “Compramos coisas que não precisamos com dinheiro que não temos para impressionar pessoas de quem não gostamos.”

Não que a intenção deste texto seja tirar o foco da adultização das crianças, mas apontar a real raiz do problema: a dependência das redes sociais em adultos e crianças.

A partir do momento que a internet criou maneiras de avaliar perfis, no bom e velho Orkut, com o gelinho, estrela e coração, criou-se a falsa ilusão de uma nova realidade, a do mundo virtual.

Um mundo que tem uma regra clara: vale mais quem aparece mais. Aparece mais, quem agrada mais, quem tem mais curtidas. Agrada mais, quem é “amigo” do algoritmo. A pergunta mais importante talvez seja: quem controla a máquina?

Sem criar teorias da conspiração — vide caso Epstein — vamos considerar que a régua seja a dopamina. Quanto maior a liberação desse neurotransmissor com um conteúdo, maior será sua distribuição.

Crianças e adultos competem por atenção, e a recompensa é a busca por emoção. Afinal, um mundo baseado na busca de emoções rápidas está fadado ao _______ (é preferível que você complete a frase).

Mais que regulamentar redes sociais, é preciso controlar a si próprio. Dominar o que te domina e enxergar um pouco além do óbvio.

De qualquer forma, o seu algoritmo só joga o jogo que você sustenta. Como em qualquer jogo de cartas, você pode sempre sair da mesa.

Afinal, como em todo cassino, o único jeito de sair vencedor é não entrando.

Quanto maior a necessidade de validação de terceiros — conhecidos ou não — para estimar seu valor próprio, maior também será sua infelicidade.

Quer escrever nosso próximo editorial? Clique aqui e se candidate.

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