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Desde a redemocratização, ocupar a cadeira mais alta do país virou quase aquele roteiro de filme com final previsível.
Começa com a comemoração da vitória e promessas de mudanças, mas termina em cassação, algemas ou, no mínimo, uma visita aos tribunais.
A estatística é clara: Há 40 anos, quando o país tornou uma democracia, mais de 60% dos presidentes tiveram algum tipo de condenação na justiça.
Dois já dormiram atrás das grades e o terceiro está à caminho. O impeachment não é tão excepcional assim por aqui (2 de 8).
O Brasil virou democracia em 1985 e, de lá pra cá, tivemos 8 presidentes diferentes.
Desses, somente 3 conseguiram sair de cena com a reputação intacta, ou seja, sem nenhum tipo de problema com a justiça.
Juridicamente, apenas Sarney, Itamar e FHC entraram e saíram com a reputação intacta. O restante enfrentou processo judicial, delações premiada ou viraram caso de estudo sobre como arruinar o próprio legado.
Collor foi o primeiro a cair. Subiu ao poder com discurso moderno e desceu envolto em corrupção — denunciado pelo próprio irmão.
Lula atravessou o arco completo: de operário a presidente, de preso a reeleito. Dilma caiu por pedaladas fiscais. Temer foi preso preventivamente. Bolsonaro agora bate o recorde: 27 anos de pena por tentativa de golpe de Estado.
Parece que a cadeira mais importante da República não tem menos peso de grandeza e mais influência de vaidade, corrupção e vingança.
É só pensar quando você lê uma manchete: já não mais se espanta com 10 ou 200 milhões desviados do INSS. A palavra político já traz um adjetivo implícito, que nem precisou ser escrito para que você pensasse nele: corrupto.
O espanto, aliás, é o contrário: passar quatro anos em um mandato e sair limpo.
O grande problema é que esse ciclo de descrença é corrosivo.
Transforma política em piada, voto em frustração, mais próximo de uma paixão irracional do que de uma decisão advinda de um raciocínio estruturado.
Pode ser que realmente exista uma maldição na política, a maldição da faixa presidencial.
Talvez porque tratamos o poder como benefício pessoal — e não como responsabilidade — esperando um lucro pessoal em troca do voto.
Talvez porque tratamos o “ser presidente” como a linha de chegada de uma carreira, não como um serviço público.
A título de curiosidade, a política nem sempre foi considerada uma carreira profissional. Durante boa parte da história, ela era vista como um dever cívico ou uma missão — quase sempre conciliando essa atuação com outras ocupações profissionais.
A maldição da faixa não está no tecido verde e amarelo. Está na cultura que a envolve.
Uma cultura que terceiriza responsabilidades. Idolatramos figuras ao invés de princípios — e há uma tremenda diferença.
Porque se mudam os presidentes, mas o roteiro se repete, o problema não está em quem se elege, mas sim quem vota.
Se a maioria dos que sentam naquela cadeira acabam punidos, talvez estejamos elegendo não os mais capacitados, mas os mais performáticos.
Talvez estamos confundido carisma com competência.
Talvez estejamos mais preocupados com vingança do que com justiça.
E talvez, no fundo, a gente goste mesmo do espetáculo. Porque viver assim é mais fácil. O reels do seu político distrai, o post inflamado tira o foco dos problemas.
Problemas que, em sua maioria, você mesmo poderia resolver se chamasse a responsabilidade.
A política virou entretenimento. Entretenimento que engaja e aliena. Até porque, em todo circo, alguém acaba tendo que ser o palhaço. Cuidado para não ser você.
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