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Três décadas se passaram e a ferida de perder um dos maiores esportistas de todos os tempos deste planeta permanece em cada coração brasileiro. Em questão de segundos, Ayrton Senna da Silva saiu da vida para entrar para a eternidade.

Nascido na zona norte de São Paulo, no bairro de Santana, Ayrton Senna começou a trilhar sua história no automobilismo bem cedinho — aos quatro anos de idade — quando ganhou de seu pai um kart amador cujo motor havia sido tirado de um cortador de gramas.

O brinquedo se tornou o melhor amigo do pequeno e logo aos 13 anos já estava disputando sua primeira corrida na modalidade, conquistando o Campeonato Paulista de Kart no ano seguinte.

O reinado nas chuvas começou por uma derrota

Há males que vem para o bem, certo? Conhecido por sua admirável habilidade em pilotar com maestria em pistas molhadas, Ayrton Senna desenvolveu essa capacidade graças a uma derrota “traumatizante”.

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

Em sua primeira corrida de kart na chuva, o jovem não conseguir controlar a direção e, assim, perdeu a corrida. Depois desse dia, bastavam algumas gotas caírem do céu para Ayrton pegar seus equipamentos e correr para o Kartódromo de Interlagos.

A escolha que mudou sua vida

Administrar empresas ou acelerar nas pistas? No início dos anos 80, Ayrton Senna precisou tomar uma dura — porém importantíssima — decisão..

Estudante de Administração, o piloto era constantemente incentivado a continuar nos estudos a fim de dirigir os negócios da família. Mas quem disse que esse era o seu desejo? O que Ayrton queria era correr, correr e correr…

Foi então que o jovem partiu rumo à Europa, onde conquistou o campeonato da Fórmula Ford 1600 no Reino Unido ao vencer 12 de 20 corridas disputadas.

A estreia na Fórmula 1

Sua entrada na maior competição a motor do mundo aconteceu em 1984, com o fraco carro da Toleman. O ano de debute foi, no mínimo, desafiador. Senna precisou abandonar oito das 14 provas.

Mas foi em Mônaco, na mesma temporada, que o piloto brasileiro deu suas cartas de boas-vindas. Com a pista molhada e largando em 13°, Senna fez mágica ao ultrapassar piloto por piloto até chegar na segunda colocação.

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

Era inevitável, o brasileiro passaria o então líder Alan Prost. Mas a corrida acabou antes do previsto devido à decisão do diretor de prova, Jacky Ickx, que ordenou pelo encerramento da corrida.

Anos depois, Jack revelou ao jornalista Reginaldo Leme que cedeu à pressão do presidente da FIA, Jean-Marie Balestre, compatriota de Prost.

Se naquele momento Ayrton mostrava toda a sua habilidade ao quase conquistar o lugar mais alto do pódio com um carro totalmente inferior ao dos adversários, o brasileiro também se deparava com o seu maior inimigo na F1 — a politicagem.

No ano seguinte, Ayrton se transferiu para a Lotus — escuderia pela qual correu por três temporadas — e pôde conquistar sua primeira vitória na F1 no dia 21 de abril de 1985, no chuvoso Grande Prêmio de Portugal, abrindo uma volta de diferença para 19 dos 20 pilotos adversários do grid.

(Imagem: Paul-Henri Cahier | Getty Images)

Parceria dominante com a McLaren e rivalidade com Prost

Em 1988, Ayrton Senna já era um piloto consolidado na Fórmula 1, mas seu talento não era suficiente para superar a disparidade de seu carro com os motores da McLaren e Williams.

Foi então que o brasileiro se juntou a McLaren para ser companheiro do, na época, bicampeão Alan Prost.

Logo na primeira temporada, o primeiro título. Ayrton conquistou 13 poles, 11 pódios e oito vitórias e se sagrou campeão de Fórmula 1 pela primeira vez.

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

Mas foi no ano seguinte que a maior rivalidade da história do automobilismo — e uma das maiores do esporte — despontaria para a eternidade com a quebra de acordo entre os companheiros de não ultrapassagens na primeira volta.

No GP de Imola de 1989, Senna ultrapassou o francês na relargada da corrida. Dali em diante, a rixa entre os pilotos se tornou uma verdadeira guerra declarada.

O climax de Senna contra os franceses

O ápice do conflito entre Senna e Prost aconteceu no Grande Prêmio de Suzuka, penúltima corrida da temporada. Com 60 pontos, o brasileiro precisava tirar uma diferença de 16 pontos nas últimas duas corridas para vencer o campeonato.

Precisando vencer a qualquer custo, Senna colocou seu carro por dentro da curva antes da reta dos boxes, mas Prost deu-lhe uma “fechada”, causando a colisão de ambos. Prost acabou abandonando a corrida, mas Senna retornou e venceu.

Porém, Jean-Marie Balestre — presidente da FIA e amigo de Prost — se utilizou de uma manobra da regra para invalidar a vitória de Ayrton, alegando que o brasileiro retornou à disputa cortando caminho da pista. Era a decisão que garantia o troféu para Prost.

Um ano depois, a “revanche”

A vingança é plena… No ano seguinte, já com Prost na Ferrari, Senna estava na frente de seu eterno rival na disputa pelo campeonato e era justamente em Suzuka que o francês provaria do seu próprio veneno.

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

Nove segundos após a largada, Prost e Senna bateram, culminando no título de bicampeão para o piloto brasileiro.

Dedico esse título a todos que lutaram contra mim.

Ayrton Senna à Folha de S. Paulo, logo após a conquista do bicampeonato

O terceiro e último título da carreira de Ayrton Senna veio em 1991 ao superar a Williams de Nigel Mansell.

Neste mesmo ano, Senna fez história ao vencer o GP de Interlagos precisando completar as últimas oito voltas somente com a sexta marcha, feito considerado heroico até os dias de hoje. Relembre esse momento histórico clicando aqui.

A última vitória em território nacional veio em 1993. Mesmo largando em terceiro, Senna contou com a “ajudinha” da sua querida e abençoada chuva, aliada a batida do rival Prost, para vencer em Interlagos. Veja a narração aqui.

A realização de um sonho

Ayrton Senna deixou a McLaren para assinar com a Williams em 1994, mas encontrou vários problemas no carro logo no início da temporada, a ponto de não pontuar nas corridas do Brasil e Japão.

Um trágico e inesquecível final de semana

O final de semana do Grande Prêmio de San Marino começou da mesma forma que se encerrou — com apreensão, lágrimas e o poder dos chefões prevalecendo.

Sexta-feira: O brasileiro Rubens Barrichello assustou o mundo ao protagonizar um dos acidentes mais feios de toda a história da Fórmula 1. Felizmente, nada de grave ocorreu com o piloto.

Sábado: Na prova de classificação para a corrida do domingo, um acidente fatal vitimou o piloto austríaco Roland Ratzenberger

O eterno 1° de maio de 1994

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

Algo estava errado. Como uma prova ainda poderia ocorrer mesmo depois de dois graves acidentes seguidos, sendo que um deles culminou na morte de um piloto? A resposta era simples — business.

Senna não estava contente com o seu carro e parecia ainda mais incomodado com tudo que havia sucedido nas últimas horas, mas em nenhum momento cogitou não correr naquele domingo.

Eram os últimos metros percorridos pelo herói brasileiro. Na sétima volta, Senna bateu forte no muro da curva Tamburello. O impacto da batida fez com que a barra de suspensão do carro se rompesse, atingindo sua testa e atravessando o capacete.

(Imagem: Getty Images | Reprodução)

A corrida foi paralisada e Senna levado de helicóptero para o Hospital Maggiore de Bolonha. Na UTI do hospital, Ayrton Senna da Silva teve sua morte confirmada às 18h40 do horário local - 13h40 no horário de Brasília..

Na época, foi noticiado que o piloto chegou com vida ao hospital, mas fontes próximas relatam que Senna morreu na pista. O motivo para a F1 utilizar este discurso é que, pelas leis italianas, uma morte na pista forçaria o cancelamento da corrida. Novamente a política falava mais alto…

Nos braços do povo

(Imagem: Luca Bassan | Car Magazine)

Foi um soco no estômago de todos os brasileiros. Certamente a figura mais amada e prestigiada pelo público acabava de ter o seu fim decretado da maneira mais trágica possível. O cortejo de Ayrton foi acompanhado por um milhão de fãs.

Ayrton Senna era muito mais que um piloto, era um símbolo. Símbolo de alguém que sempre lutou pelos seus sonhos. De alguém que sofreu com seus adversários dentro e fora das pistas. De alguém que se tornou vencedor apesar de tudo.

Em tempos tão complexos para a população que sofria com uma hiperinflação e com o caos na política, Ayrton Senna era visto como um dos poucos brasileiros que ainda sim davam orgulho. Uma das poucas pessoas em quem o povo podia se inspirar.

O gesto de comemorar segurando a bandeira do Brasil transformou um piloto campeão numa verdadeira lenda. Era como se cada pessoa espalhada por esses quatro cantos do nosso país pudesse sentir, mesmo que por poucos instantes, o gosto da vitória.

Ayrton Senna, simplesmente o maior de toda a nossa história.

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